Universitários promovem ações voluntárias educativas

Por: Thais Helena Certain
01 Novembro 2007 - 00h00
O senso comum nos remete a duas definições simplificadoras sobre as universidades. A primeira nos fala de um local de intelectuais, hermetismos, de pesquisas sofisticadas e incompreensíveis. A segunda, de um local de formação de profissionais. Embora essas concepções não estejam incorretas, o papel das universidades, assim como suas finalidades e responsabilidades, é muito mais complexo e vem sendo discutido intensamente desde as últimas décadas do século 20.

Este momento muito especial de auto-reflexão e redefinição de rumos abrange novas formas de gestão, de avaliação, de articulação das universidades com o Estado, com as comunidades, com a iniciativa privada e, em especial, face à internacionalização e à mercantilização da educação. E essas questões devem envolver toda a sociedade e não somente universitários, seus docentes e gestores.

A legitimidade e hegemonia das universidades – outras razões para discussões tão intensas –, passam atualmente pela construção de novos vínculos com a sociedade. “A produção de conhecimento epistemológica e socialmente privilegiado e a formação de elites deixaram de poder assegurar por si só a legitimidade da universidade”, segundo Boaventura Souza Santos.

Como exemplos concretos, universidades como Stanford, Harvard, Georgetown University, University of Washigton, entre várias outras, vêm atuando em parcerias estreitas com suas comunidades por meio das Comunity-Based Research. É um novo caminho a criação deste “espaço público de saberes onde a universidade possa confrontar a injustiça cognitiva por meio de uma reorientação solidária das suas funções”, como também afirma Santos.

Parece-nos que um dos papéis fundamentais das universidades deve ser o de desenvolver propostas de políticas públicas. Para isso, sua autonomia precisa ser respeitada a fim de assegurar que tais propostas, de médio e longo prazos, sejam aquelas que a sociedade acredita estratégicas para seu desenvolvimento global, econômico, social e cultural. E isso apenas não basta! É imprescindível o conhecimento de sua realidade; é preciso interagir, colaborar, ouvir e também, porque não, aprender com suas comunidades.

Retomando uma das idéias simplificadoras sobre universidade, é fácil entender que este seja o local de formação de profissionais. No entanto, esquecemos que a formação não poderia prescindir de um conjunto de saberes éticos e cidadãos. Não há bom profissional se ele não for cidadão.

Portanto, o ensino superior deve ser também um espaço de construção de valores, espaço privilegiado para se educar para a solidariedade. Embora pareça apenas mais um discurso da moda, entendemos a solidariedade atrelada às intensas demandas por direitos ocorridas nas décadas recentes no mundo todo.

Direito ao trabalho, à educação, à saúde, à justiça, à representatividade, à segurança, à eqüidade, enfim, direitos sociais que exigem transformações significativas de políticas governamentais, de atitudes individuais e de mentalidades em geral, para não nos determos nas questões ambientais cruciais para a sobrevivência no médio e longo prazos.

Por outro lado, a solidariedade é uma atitude, e como tal é aprendida em processos educativos, sejam eles formais, no âmbito familiar ou em grupos de convivência. De qualquer maneira, não se é solidário por obediência a ordens e somente por compaixão aos desvalidos e injustiçados. A solidariedade requer um comportamento ético, responsável, que transcende questões pessoais. E para que um cidadão seja solidário, é necessário aprender modos de pensamento balizados por valores, é necessária a capacidade de analisar sua própria história e a coletiva para melhorá-la, e deve, sobretudo, superar o senso comum e aliar seus pensamentos à sua prática, à sua conduta.

Pesquisas no Brasil

Várias pesquisas e estudos sobre o perfil de nossos universitários mostram que são minoritários e, de certa forma, privilegiados, pois os que chegam à universidade representam apenas 3% da população do país. E, por isso mesmo, acreditamos que como cidadãos têm o dever de contribuir para a construção de um país sem desigualdades tão alarmantes que comprometam a possibilidade de um desenvolvimento sustentável.

A contribuição dos universitários nas comunidades onde moram ou estudam tem esse sentido, além dos benefícios pessoais, acadêmicos e de formação profissional que essas experiências lhes dão.

O movimento Virada Universitária surgiu com a articulação de diversas instituições e tem como maior objetivo reconhecer, divulgar e mobilizar universitários e universidades a estreitar conhecimentos e vínculos com suas comunidades. A construção de um banco de boas práticas de projetos e ações sociais realizados é de acesso livre a consultas, pretendendo sinalizar um caminho necessário a ser aprofundado pelas instituições de ensino superior, pelos docentes, estudantes e suas comunidades.

Coordenado pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, criado e gerenciado por um conjunto de parceiros de atuação relevante nas áreas social e de educação, entre eles o Instituto Faça Parte e o Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP), o projeto abrange, inicialmente, apenas a cidade de São Paulo. Em 2008, o projeto expandirá para todo o estado paulista.

Vale ressaltar que o movimento Virada Universitária se insere em um contexto maior, visando colaborar com os novos rumos do ensino superior.

Virada Universitária
www.viradauniversitaria.sp.gov.br

Thais Helena Certain. Economista, mestre em Letras, atuou em áreas econômico-administrativas, em educação por longo tempo e, nos últimos seis anos, no Terceiro Setor.
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