Terceiro Setor na TV: o caminho das pedras

Por: Marcio Zeppelini
01 Novembro 2007 - 00h00
As instituições do Terceiro Setor – seja no Brasil ou em qualquer parte do mundo – enfrentam, em maior ou menor grau, os mesmos problemas diários. Verbas curtas e dificuldades para atender seu público-alvo são obstáculos a serem superados. Para completar, a mídia, que já dedica tão pouco espaço para o tema, torna-se cada vez mais seletiva, fechando os canais para a divulgação do trabalho das organizações sem fins lucrativos.
Para ‘virar notícia’, o primeiro passo é encaminhar uma sugestão de pauta que realmente seja interessante para o telespectador do programa em questão
A televisão é o meio de comunicação menos acessível ao apelo de uma campanha social, principalmente se partir de entidades menos conhecidas. Já as mais admiradas pela população em geral, como Abrinq, Instituto Ayrton Senna, AACD, Sociedade Pestalozzi e Apae, têm maior acesso na comunicação com a sociedade por meio de grandes canais de televisão – seja em telejornais, espaços publicitários cedidos ou em programas anuais para arrecadação de fundos – a exemplo do Teleton, organizado pelo SBT, que reverte recursos para a AACD.

E as pequenas e médias entidades, não menos sérias e que também prestam grandes serviços à sociedade? Como podem mudar esse cenário e conquistar um canal direto de comunicação na TV, a fim de difundir seus valores e mostrar o trabalho desenvolvido em prol da comunidade? Boas perguntas às quais gestores de instituições sociais que se enquadram no perfil acima devem procurar respostas todos os dias.

Portas de entrada

É certo que no Terceiro Setor, assim como em qualquer ramo da atividade humana, há organizações que se comunicam bem e aquelas que deixam muito a desejar. A própria mídia acaba fazendo essa seleção natural ao escolher suas fontes. As ONGs menos preparadas, então, perdem espaço, pois desconhecem os caminhos e têm uma dificuldade extrema em manter contato e atender adequadamente pauteiros, repórteres, editores e produtores, que são os responsáveis por decidir o conteúdo de noticiários e programas.

No caso das TVs, que mudam sempre suas equipes, é fundamental manter um mailing atualizado. Para quem pode, a contratação de uma assessoria de imprensa é uma excelente solução para entrar na chamada “mídia espontânea” – as matérias jornalísticas e entrevistas, por exemplo –, talvez o espaço mais nobre entre os meios de comunicação.

Para “virar notícia”, o primeiro passo é encaminhar uma sugestão de pauta que realmente seja interessante para o telespectador do programa em questão. Atualmente, a televisão conta com escassa programação voltada exclusivamente para o Terceiro Setor. Na TV aberta, além dos canais educativos, como TV Cultura e TVE, existem raros programas, como o semanal Ação, da Rede Globo (reapresentado no Canal Futura), que dão espaço para o campo social.

O Canal Futura, que é transmitido em TV por assinatura, e o canal de notícias financeiras Bloomberg veiculam anúncios institucionais de entidades, no intervalo de seus noticiários. Care, The Nature Conservancy e Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD) são algumas das organizações sem fins lucrativos beneficiadas pela iniciativa.

Na TV aberta, os telejornais e determinados programas de auditório abrem restrito espaço para as entidades sociais. Em geral, são poucos minutos ou mesmo segundos. É em função dessa velocidade, característica própria da televisão, que as ONGs precisam fortalecer sua comunicação. Os gestores, entretanto, não devem ficar aborrecidos quando percebem as chances perdidas de a entidade que dirige participar de uma reportagem na TV. Basta apenas evitar que o erro se repita.

Mensageiro institucional

Paralelamente à implantação de um Departamento de Comunicação, que pode ser terceirizado, é fundamental que a entidade tenha porta-vozes preparados para atender a imprensa e jamais desprezar um veículo de mídia, mesmo que seja pouco conhecido – como as tevês comunitárias. Elas são boas mídias para se iniciar um trabalho de comunicação; apesar de não ter audiência como as grandes redes, têm um público cativo.

Vale ressaltar que muitas vezes o ego faz com que o presidente da instituição pautada seja o porta-voz e tome a frente da entrevista. No entanto, nem sempre esta é a decisão mais sábia. Os porta-vozes podem fazer parte da diretoria, atuar em uma coordenadoria ou, em muitos casos, ser um profissional especializado em determinada área, o qual está mais apto para falar a respeito do trabalho desenvolvido. Em todo caso, é imprescindível a escolha de alguém desinibido, que tenha boa interlocução e não fique nervoso em frente às câmeras.

Entretanto, é preciso tomar muito cuidado com declarações à mídia televisiva. O exíguo tempo disponível é uma realidade que pode levar a mal entendidos. Uma palavra usada erradamente ou uma entonação de voz com ar nervoso pode ser suficiente para arranhar a imagem da entidade. Na televisão, que tem na rapidez da apuração e no imediatismo os motes principais, a adoção de filtros que detectem equívocos antes da edição das imagens tende a comprometer a qualidade da reportagem, pois tanto o repórter quanto os editores podem não captar a idéia dentro do contexto.

E, acredite, é certo que nenhum dos dois vai entrar em contato para confirmar determinado trecho. Ou substitui por outra fonte ou simplesmente, corta! Essa atitude muitas vezes pode ser por pura arrogância do jornalista ou vergonha de perguntar. Mas, em geral, o tempo é sempre o “culpado”.

Para as entidades que já têm acesso à televisão, a presença de um assessor de imprensa no momento da gravação da entrevista é fundamental. Como capta melhor o encadeamento do pensamento do assessorado, este profissional pode perceber deslizes e equívocos, colaborando para que as informações corretas sejam divulgadas.

O mesmo vale quando o porta-voz da ONG estiver, por exemplo, em uma entrevista ao vivo. Nesse caso, a correção pode ser feita enquanto a transmissão do programa está no ar. O assessor tem a obrigação de avisar o produtor sobre o equívoco. Este, por sua vez, avisará o entrevistador/apresentador que é preciso fazer uma complementação ou errata.

Como se pode perceber, são muitos os cuidados que devem tomar os gestores para ter sua entidade na telinha, mas a recompensa de uma veiculação é imensurável. Se depois de tudo isso a instituição continuar enfrentando dificuldades em obter mídia gratuita, vale a pena arrendar um horário em uma tevê pequena ou estação de rádio. Após formatar o programa ou anúncio, uma opção é procurar parceiros na iniciativa privada para comprar o espaço e viabilizar o programa. Então, é só seguir em frente.

Marcio Zeppelini. Consultor em comunicação para o Terceiro Setor, editor da Revista Filantropia, produtor editorial pela Universidade Anhembi Morumbi e diretor executivo da Zeppelini Editorial & Comunicação.
EDITAIS FILANTROPIA PLATAFORMA ÊXITOS
10.224
Oportunidades Cadastradas
8.077
Modelos de Documentos
2.206
Concedentes que Repassam Recursos
Prazo
24 Set
2018
World Food Programme - Fighting Hunger Worldwide
Prazo
1 Dez
2018
The Prince Claus Fund 2nd Open Call: First Aid to Documentary...
Prazo
17 Out
2018
Banco de Projetos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos
Prazo
30 Set
2018
II Concurso Literário da Revista “Aspas Duplas
Prazo
23 Out
2018
III Concurso de Crônicas Ivone dos Santos
Prazo
28 Set
2018
Pautas do Espaço Cultural Banco da Amazônia
Prazo
27 Set
2018
IX Concurso Nacional Pérolas da Literatura
Prazo
25 Set
2018
Apoio a Atividades de Monitoria em Divulgação Científica...
Prazo
15 Out
2018
Programa Capes/Iiasa de Pós-Doutorado
Prazo
15 Out
2018
Programa CAPES/IIASA de Doutorado Sanduíche
Prazo
Contínuo
Política de Patrocínios da CEMIG
Prazo
11 Out
2018
Edital LGBT+ Orgulho
Prazo
22 Out
2018
WORLDLABS - Elevating Ideas Competition
Prazo
10 Out
2018
Seleção e Contratação de Atividades Culturais para...
Prazo
30 Set
2018
Prêmio Bambolê de Literatura
Prazo
28 Set
2018
Chamada CNPq/Petrogal Brasil S.A
Prazo
8 Out
2018
Programa Antártico Brasileiro – PROANTAR
Prazo
9 Out
2018
Avaliação da Implementação da Rede de Cuidados...
Prazo
31 Out
2018
Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros - 2018
Prazo
23 Nov
2018
Chamada CNPq/SNSF
Prazo
28 Set
2018
Selo de Responsabilidade Cultural
Prazo
9 Nov
2018
Concurso de Cartazes para Dia Mundial da Alimentação...
Prazo
31 Dez
2018
Credenciamento de Artistas
Prazo
30 Set
2018
Fonds Baillet Latour
Prazo
30 Set
2018
UNESCO/Emir Jaber al-Ahmad al-Jaber al-Sabah Prize...
Prazo
30 Set
2018
V Concurso Literário Julio Salusse
Prazo
30 Set
2018
II Prêmio de Poesia SPA
Prazo
15 Out
2018
Prêmio INCM - Vasco Graça Moura
Prazo
15 Out
2018
3ª Edição Prêmio Kindle de Literatura
Prazo
1 Out
2018
CNPq-Prevfogo-Ibama- Pesquisas em ecologia, monitoramento...
Prazo
1 Out
2018
MCTIC-SEPED/CNPq – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação...
Prazo
5 Out
2018
CNPq-MCTIC -Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias...
Prazo
30 Set
2018
Edital IberCultura Viva para Apoio de Redes e Projetos...
Prazo
10 Out
2018
CNPQ-MCTIC-SETEC -Programa para Concessão de Bônus...
Prazo
30 Jun
2019
Chamada Pública Bilateral FINEP-CDTI para projetos...
Prazo
21 Mar
2019
Seleção de Projetos Esportivos - Lei de Incentivo
Prazo
Contínuo
Revista Científica de Direitos Humanos - Submissão...
Prazo
4 Out
2018
Chamada Pública MCTIC/FINEP/CT-INFRA – Campi universitários...
Prazo
16 Out
2018
SENASP – Ação 8855 – Segurança Pública Nos...
Prazo
21 Set
2019
Crédito De Pesquisa Para Comitês Técnico-Científicos
Prazo
15 Dez
2018
The Awesome Foundation - Awesome Disability
Prazo
28 Set
2018
Eventos Científicos
Prazo
Contínuo
Chamada Pública ANCINE-FSA - Coinvestimentos Regionais
Prazo
30 Set
2018
Her Abilities Award
Prazo
15 Out
2018
Human Rights Prize of the French Republic 2018
Prazo
31 Out
2018
Empowering People Award 2019
Prazo
Contínuo
Filiação ao Departamento de Informação Pública...
Prazo
2 Out
2018
Seleção de Boas Práticas na Temática Educação...

PARCEIROS VER TODOS