Pesquisa Doação Brasil Apresenta O Perfil Dos Doadores Brasileiros

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19 Janeiro 2017 - 14h43

Levantamento pretende servir como base para estimular a cultura da doação no país

Durante o ano de 2015, 77,0% dos brasileiros fizeram algum tipo de doação, sendo que 62,0% dos doadores cederam bens, 52,0% contribuíram com dinheiro e 34,0% disponibilizaram seu tempo para algum trabalho voluntário. No período, as doações individuais totalizaram R$ 13,7 bilhões, valor correspondente a 0,23% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Esses dados fazem parte do mais completo estudo realizado no país sobre o perfil dos doadores brasileiros, intitulado Pesquisa Doação Brasil. A intenção é que esse estudo seja repetido a cada três a cinco anos para que se possa acompanhar a evolução da cultura de doação no país. Encomendado ao Instituto Gallup, o levantamento entrevistou 2.230 pessoas em todo o Brasil, com idade acima de 18 anos, residentes em áreas urbanas e com renda familiar mensal a partir de um salário-mínimo. A pesquisa é uma iniciativa coordenada pelo Instituto pelo Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), em parceria com um grupo de especialistas.

"A Pesquisa Doação Brasil revelou um retrato jamais visto, que servirá de base para uma grande campanha pela cultura de doação no país", afirma Paula Fabiani, diretora-presidente do Idis.

Principais Dados

Levando em consideração as regiões do Brasil, em números absolutos, o Sudeste aparece em primeiro lugar, concentrando 43,5% dos doadores. A região Nordeste vem na sequência com 31,0%, seguida pelo Sul (13,0%), Norte (6,5%) e Centro Oeste (6,0%). Desses doadores, mais de um terço (36,0%) fizeram uma doação mensal no ano passado, cujos valores médios eram de R$ 20 a R$ 40 por mês, ou seja, de R$ 240 a R$ 480 por ano.

A Pesquisa Doação Brasil mostrou não existir relação direta entre o tamanho da cidade e a prática de doação em dinheiro, ou seja, mesmo fora das grandes cidades, o brasileiro também doa. Porém, existe forte relação entre idade e a prática da doação em dinheiro. Quanto maior é a faixa etária, maior é a incidência desse tipo de doação. O mesmo acontece em relação ao grau de instrução. Pessoas com nível superior praticam mais doação em dinheiro.

Segundo a pesquisa, o perfil típico do doador brasileiro é: mulher, com instrução superior, praticante de alguma religião, moradora das regiões Nordeste ou Sudeste e com renda individual acima de quatro salários-mínimos, conforme apresentado no Quadro 1. O levantamento mostrou ainda que as mulheres (49,0%) têm o hábito de doar para organizações com mais regularidade do que os homens (42,0%).

Consciência X Fator Emocional

Entre os entrevistados, 80% disseram não se deixar levar pela emoção na hora de doar, enquanto os demais 20% admitiram praticar esse ato por impulso. Ou seja, a principal razão para alguém doar dinheiro é a empatia pela causa e a solidariedade em relação aos necessitados, o que indica que existe uma forte ligação entre o ato de doar e a gratificação emocional (Gráfico 1). "Esse resultado é muito positivo, uma vez que mostra que o brasileiro tem muita consciência na hora de doar", destaca Paula.

Gráfico 1 – motivos para se fazer doações em dinheiro, segundo os entrevistados

Entre os temas que mais sensibilizam o doador em dinheiro, apresentados no Gráfico 2, destacaram-se: em primeiro lugar, a saúde, com 40,0% das respostas; causas relacionadas às crianças ocupam a segunda colocação, com 36,0%; o tema combate à fome e à pobreza ficou em terceiro lugar, com 29,0%; e causas relacionadas aos idosos, com 21,0%.

Religião E Solidariedade

A religião é um fator que exerce grande influência no hábito de doar dos brasileiros. Entre os que se declararam espíritas na pesquisa, 58,0% praticam a doação em dinheiro. Entre os católicos, o percentual é de 51,0%, enquanto entre os declarados evangélicos, o índice é de 45,0%. O estudo não considerou os valores destinados a dízimos ou a mensalidades para associações.

Importância Da Doação

Outro aspecto abordado pelo estudo diz respeito ao relacionamento dos brasileiros com as organizações não governamentais. Entre os resultados obtidos, destaca-se o fato de que 71,0% dos entrevistados entendem que as ONGs dependem de doações para funcionar e dar continuidade às suas ações, e 44,0% concordam que essas instituições realizam um trabalho sério e competente. Contudo, apenas 26,0% das pessoas consultadas acham que a maioria das ONGs é confiável.

"A pesquisa mostra que os brasileiros entendem a importância e valorizam o trabalho das ONGs, mas elas, assim como ocorre com muitas outras instituições, acabaram se contaminando pela onda de escândalos e de desconfiança que atinge o Brasil", avalia a presidente do Idis.

A pesquisa também analisou o perfil dos doares que desistiram de doar, conforme Gráfico 3: 43% dos entrevistados alegaram falta de dinheiro como principal motivo para não realizarem mais doações, enquanto outros 17,0% disseram não confiar nas organizações que pediram ajuda, e 7,0% afirmaram não terem sido abordados para doar novamente.

Quadro 1 – Perfis de doadores e não doadores

 

 

 

Perfil clássico do brasileiro doador
(dinheiro, bens ou tempo)
Perfil clássico do brasileiro
doador em dinheiro
Perfil clássico do não
doador brasileiro
Mulher Mulher Homem
Acima de 40 anos Quanto mais idade, mais doa Entre 18 e 29 anos
Região Centro-Oeste, Nordeste ou Sudeste Região Nordeste ou Sudeste Região Sul
Instrução superior Renda individual superior a quatro
salários-mínimos
Baixa escolaridade
Renda individual superior
a dois salários mínimos
Satisfeita com a própria renda Renda individual
abaixo de dois salários-mínimos
Satisfeita com a própria renda Satisfeita com a própria vida Está insatisfeito com a própria vida
Tem religião Tem religião Não tem religião

 

 

 

 

Organizações Sociais

O levantamento também mostrou que 64,0% dos doadores contribuem apenas com uma instituição, sendo que 39,0% deles já visitaram a organização assistida. A fidelidade destaca-se nesse item, já que 70,0% dos doadores afirmaram que costumam doar sempre para a mesma organização, ano após ano.

Cerca de 61,0% dos entrevistados disseram que as ONGs costumam insistir demais ao pedir doações e 64,0% acreditam que, ao se fazer uma doação, corre-se o risco de ser procurado por outras organizações.

O estudo serve ainda como orientação para o trabalho dessas instituições, já que as pessoas deixaram bem claro que rejeitam abordagens em domicílio e em locais públicos.

Link: http://www.idis.org.br/pesquisadoacaobrasil

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