O outro lado dos tsunamis

Por: Conselho Editorial
01 Janeiro 2005 - 00h00

As catástrofes que assolam o mundo, entre elas a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, os conflitos sangrentos no Vietnã e em Kosovo, a guerra interminável travada no Oriente Médio, o ataque às torres americanas – que vitimaram ao menos três milhares de pessoas –, a conseqüente queda de Saddam Hussein e o extermínio de seus aliados, a explosão dos trens espanhóis, e tantas outras, são originadas pelo próprio homem, e a comoção não venceu a doação, pois cada país vitimado teve de fazer seu levante por meio do próprio povo.

Por outro lado, as últimas notícias do sudeste da Ásia (Sri Lanka, Índia, Tailândia, Malásia, Maldivas, Bangladesh e Indonésia) e de parte do leste da África (Quênia, Somália e Tanzânia) apontam que o tsunami – onda gigante, em japonês, que tem de 130 a 160km de comprimento – matou mais de 270 mil pessoas e vitimou com o flagelo outras milhares. Outro exemplo de desastre natural aconteceu em 1883, em proporções menores, na ilha de Krakatau (entre Java e Sumatra, nas Índias Orientais), originado devido a grandes erupções vulcânicas, que matou 36 mil pessoas e levou um navio de guerra 2,5km terra adentro.

A maioria dos cataclismos que restaram em sangrentos desastres da vida humana foram provocados pelo homem. Porém, os tsunamis foram ações da natureza, por meio de distúrbios sísmicos, e formaram ondas de até dez metros de altura a uma velocidade que chegou a 800km/h, varrendo parte do continente asiático e africano.

As doações para reconstrução dos países e a ajuda aos seus povos urgiram cifras de bilhões de dólares. Somente o Fundo Monetário Internacional, por conta do último tsunami, está a abrir uma linha de crédito de US$ 1 bilhão. O Unicef-Brasil noticiou que a captação de recursos atingiu a cifra de mais de meio milhão de reais, além de alimentos, remédios e vestuários, que superaram, só no Brasil, mais de 100 toneladas.

A rede de solidariedade que se formou diante de tamanhos desastres naturais é o lado humano dos tsunamis, pois despertou em todo ser humano a compaixão pelo povo que perdeu tudo, inclusive a própria vida.

Enfi m, dos tsunamis se tira não só a desgraça, mas também o espírito de solidariedade que gravita na órbita terrestre em prol de uma única causa: servir o próximo que passa pela dor.

Pêsames aos que sofrem e brinde à solidariedade, que cresceu no mundo com um mero assopro de Deus.

Para que os leitores não precisem de outros tsunamis para se sensibilizarem com a causa alheia, a Revista Filantropia colecionará, em 2005, diversos modelos de solidariedade ao próximo, que não dependem de furacões de água para mover suas causas.

Boa leitura!

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