Novos rumos para a saúde no Brasil

Por: Antônio Brito
01 Janeiro 2008 - 00h00
A Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e o Fórum Nacional dos Programas Estaduais e Setoriais de Qualidade, Produtividade e Competitividade (QPC) lançaram, no dia 22 de janeiro, em Belo Horizonte, o Programa Nacional de Melhoria da Gestão em Hospitais Filantrópicos (Mais Gestão). Ousado, o programa prevê uma rápida redução de desperdícios, o aumento na produtividade e qualidade por meio da melhoria dos processos, além de capacitação, engajamento e motivação da equipe profissional, resultando na melhora significativa do atendimento à população e indicando novos rumos para a saúde no país. Os investimentos serão financiados, principalmente, pelo Instituto Gerdau e pela Petrobras.

Na primeira fase participarão 253 hospitais, de todas as regiões do país, filiados à CMB, divididos em seis grupos sediados nas capitais dos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e no Distrito Federal. Posteriormente, novos hospitais serão selecionados para participarem das próximas fases, observando os critérios exigidos, até que se atinjam todos os hospitais filiados, servindo de exemplo para outras instituições, filantrópicas ou não, que precisam reorganizar suas finanças para continuar de portas abertas.

A seleção dos hospitais para o programa deu-se a partir de critérios transparentes. Todos são sem fins lucrativos, filiados à Federação do seu estado ou à CMB, apresentam sinais de crise e/ou capacidade de multiplicar o treinamento recebido para outros hospitais similares da região, além de oferecer garantias de continuidade na execução do programa.

Expectativa

A experiência já foi executada com êxito na Federação do Rio Grande do Sul, onde 50 dos 239 hospitais a ela filiados participaram do projeto-piloto. Nesse período, foi constatado que os desperdícios diminuíram significativamente após o início do acompanhamento. Por isso, há grande expectativa em torno dos resultados dessa primeira etapa do programa nacional, quando mais hospitais executarão mudanças práticas e eficientes.

Durante a capacitação, com duração de 40 semanas, cada hospital em treinamento receberá suporte para identificar e selecionar um processo em crise: controle de materiais, da recepção à alta do paciente, lavanderia ou esterilização, por exemplo. A partir daí, e com o objetivo de obter melhorias em um curto período de tempo, a equipe de consultores técnicos realizará assessoria e acompanhamento personalizado, por meio de visitação e monitoramento informatizado, em cada um dos 253 hospitais participantes.

Levando em consideração a situação financeira delicada em muitos hospitais, enxergamos o Mais Gestão como uma possibilidade de mudança rápida e com resultados visíveis a curto e médio prazos. Salientamos ainda que a busca pela melhora da gestão hospitalar, com o apoio da iniciativa privada, deve ser associada à continuidade das ações do governo federal em prol da recuperação da defasagem dos valores da tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, atingindo o nível exorbitante de 70%, em alguns casos, o déficit implica na falta de capacitação de recursos humanos e redução no número de atendimentos, sendo a população a maior prejudicada.

Antonio Brito. Formado em administração de empresas e pós-graduado em auditoria econômica financeira. É presidente da Confederação das Santas Casa de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e exerce o cargo de superintendente da Fundação José Silveira.

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