Lívio Giosa

Por: Jaqueline Januzzi
01 Janeiro 2007 - 00h00
Lívio Giosa é vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) e coordenador geral do Instituto ADVB de Responsabilidade Social (Ires). Mas seu envolvimento com a responsabilidade social é bem mais amplo. Ele foi um dos responsáveis pela introdução do tema na pauta de discussão da sociedade brasileira e ajudou a causar grande parte das iniciativas, que hoje integram a realidade da maioria das grandes empresas.

Signatário do iBase – entidade criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho – e membro da ADVB há 27 anos, Giosa foi um dos fundadores do Ires, cujo trabalho consiste, principalmente, em conscientizar os empresários sobre a importância de posturas cidadãs e políticas éticas; promover ações que repercutam concretamente na construção de valores, para que a responsabilidade social seja encarada como estratégica na atuação das organizações; e desenvolver mecanismos que valorizem essas empresas socialmente responsáveis.

Além do envolvimento com a ADVB e o Ires, Lívio é fundador e coordenador geral do Movimento de Valorização do Administrador (Mova Brasil), coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), presidente do Conselho de Administração da Abaçaí Cultura & Arte, presidente do Conselho da Associação Minha Rua Minha Casa, professor universitário, membro do Grupo de Excelência em Responsabilidade Social e Ética do Conselho Regional de Administração de São Paulo e do Conselho do Instituto São Paulo Contra a Violência.

Sua experiência na área da responsabilidade social está registrada em três obras de sua autoria: Gestão Corporativa e Responsabilidade Social; Terceirização: Uma Abordagem Estratégica, ambos pela Editora Thonson/Pioneira, e O Brasil Profissional: A hora e a vez da competência, pela Editora Meta.

Em entrevista à Revista Filantropia, Lívio Giosa fala um pouco mais sobre sua atuação frente ao Ires, os principais projetos desenvolvidos em sete anos de instituto e as iniciativas que o tornaram referência quando o assunto é responsabilidade social.

Revista Filantropia: Conte-nos sobre sua formação e carreira profissional.
Lívio Giosa: Eu sou administrador de empresas com especialização em Business Administration pela New York University. Por estar envolvido com a área de administração, procurei me especializar cada vez mais no emprego das modernas práticas de gestão, buscando exemplos internacionais, tanto privados quanto públicos, e os implementando no Brasil. Por ter formação em marketing, foi natural entrar na ADVB, da qual sou hoje o vice-presidente. Em 1997, fui um dos fundadores do Ires, o Instituto ADVB de Responsabilidade Social, que criamos com a missão de desenvolver a visão socialmente responsável nas mais diversas atividades empresarias.

Filantropia: Qual a sua relação pessoal com o Terceiro Setor?
LG: Eu comecei como um dos signatários da ação do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (iBase), fundado pelo Betinho em 1981 e precursor de tudo que hoje se fala sobre responsabilidade social. Além disso, eu era coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) e minha responsabilidade era representar as empresas. Com essa experiência, em 1994 desenvolvemos um grande modelo de inclusão social, o projeto Minha Rua Minha Casa, que foi a primeira ação de inclusão de adultos de rua.

Para a execução desse projeto, que buscava resgatar a dignidade de maiores abandonados, tivemos o apoio de empresas ligadas ao PNDE e à Organização de Auxílio Fraterno (OAF). O resultado foi a criação da primeira franquia social do país, a Associação Minha rua Minha Casa, hoje um centro reconhecido por seu trabalho inovador, muito além de uma abordagem assistencialista. Com capacidade para receber diariamente 200 pessoas no espaço que foi cedido em comodato pela prefeitura de São Paulo, a associação tem diversificado suas atividades e ampliado suas parcerias.

Filantropia: Como e quando o senhor ingressou no Instituto ADVB de Responsabilidade Social (Ires)?
LG: Estou na ADVB há 27 anos. Em 1997, a ADVB já se destacava como uma das maiores entidades empresarias brasileiras, congregando empresários de todas as atividades. Como eu estava muito presente na associação, entendi que ela podia ser a grande entidade empresarial que ampliaria a visão sobre a percepção das empresas quanto à questão da responsabilidade social.

Então criamos o Ires, que foi um sucesso, tornando-se em uma organização que fez a diferença, transformando, sensibilizando e apresentando o conceito de responsabilidade social a inúmeras empresas no Brasil. As pessoas ainda não tinham conhecimento sobre o assunto, não sabiam o que e nem como fazer.

Filantropia: Qual o foco de atuação do Ires?
LG: O principal objetivo do instituto é sensibilizar as empresas sobre as práticas socialmente responsáveis e gerar conteúdo, como workshops e cursos, para oferecer a esse público. Nós ajudamos muitas empresas a encaminhar suas necessidades ligadas à responsabilidade social. Temos profissionais responsáveis por levar essas práticas às empresas. A intenção do Ires é, principalmente, dar continuidade a esse processo de implementação da responsabilidade social.

Temos diversos modos de atingir nosso público. Podemos, por exemplo, sugerir uma palestra in company, identificar a empresa dentro do contexto da responsabilidade social, discutir com as áreas afins qual seria o melhor modelo a ser seguido, interna e externamente, de acordo com o tipo de negócio.

Daí em diante, a empresa vai formatando o seu programa específico, e nosso trabalho está concluído.

No fim das contas, nosso principal papel é sensibilizar. Continuamos buscando as empresas, porque existem muitos setores ainda muito mal encaminhados. Algumas empresas, como Banco Real, Natura e Vale do Rio Doce, estão em estágios muito avançados, mas ainda existem dois outros grupos:aquelas que começaram um trabalho, mas têm dúvidas se o caminho que escolheram é o melhor, e as que ainda não despertaram para a causa e não tomaram atitude alguma. Por isso, o papel da ADVB é muito importante, para sensibilizar o grande executivo. Hoje, somos muito bem recebidos nas corporações, mas nem sempre foi assim.

Filantropia: Quais os principais projetos do instituto?
LG: O Ires foi o responsável por fazer, no Brasil, o 1° Seminário Internacional de Responsabilidade Social, em 1997. Já a partir de 1998, passou a promover o Top Social, prêmio que visa reconhecer organizações que tenham demonstrado visão quanto à importância do desenvolvimento social como fator fundamental de crescimento da sociedade. O Top, um dos maiores incentivadores das empresas, teve uma boa recepção da imprensa, tornando-se, hoje, o maior prêmio de responsabilidade social no Brasil.

Um dos nossos projetos de destaque é o Diálogos Sociais, realizado em parceria com a Folha de São Paulo. É uma seqüência de palestras bimestrais, que acontecem há cinco anos, com uma autoridade pública com vivência na área da responsabilidade social, além de estudantes, professores e dirigentes de ONGs envolvidos com o assunto. O que se estabelece é um grande debate, com troca de experiências baseadas no trabalho do convidado.

Outra atividade promovida pelo instituto é a Pesquisa Nacional sobre Responsabilidade Social Corporativa, que há sete anos é a única a divulgar as tendências do setor. O Ires ainda apóia, com conteúdo, os dois únicos programas de TV brasileiros que tratam da responsabilidade social: Ressoar, da TV Record, e Balanço Social, da TV Cultura. Somos chamados semanalmente para discutir a pauta e oferecer sugestões. Seja sobre o novo rumo da responsabilidade social ou a sustentabilidade, oferecemos informações para que o programa tenha o conteúdo apropriado.

Mas o que temos dentro do instituto, principalmente, é uma visão de que não podemos perder de vista a ação local. Como estamos inseridos fisicamente no bairro da Bela Vista, na capital paulista, propusemos uma revitalização da região, à luz da inclusão social, e estamos colocando em prática. O instituto precisa ter vida. Não adianta ter apenas a visão ampla da realidade social, é preciso também fazer a nossa parte nessa história, colocando a mão na massa.

Filantropia: Com quais atividades você acredita que o Ires tenha atingido mais sucesso?
LG: Nós escolhemos grandes blocos de atuação e todos têm tido boa repercussão. Seja no bloco conceitual, com cursos e palestras, seja na iniciativa da área da Pesquisa Nacional, seja no campo da exemplaridade, com a criação do Top Social. Ao que nos propusemos fazer, desde o início fizemos bem, e continuamos a fazer e a ser tratados como modelo a ser seguido. Como referência na área, somos muito procurados para oferecer material e conteúdo para trabalhos acadêmicos.

Outra ação do Ires que está se tornando muito reconhecida é o Dia de Fazer a Diferença, uma prática já bem disseminada nos EUA (Difference Day), que nada mais é do que um grande chamado para a solidariedade, uma prática coletiva em que um mutirão de pessoas faz a diferença.

Em 2006, consolidamos uma parceria com a TV Record, que assumiu o projeto como seu mote de responsabilidade social, na mesma linha do Criança Esperança, para a TV Globo, e do Teleton, para o SBT. A diferença é que nesses dois as pessoas contribuem por meio de doações, e no Dia de Fazer a Diferença elas põem a mão na massa, adotam uma creche, um asilo, uma praça. Sob todos os aspectos, elas se envolvem, percebem o quanto o trabalho coletivo transforma e se perguntam “Por que só oito horas?”. O resultado é que muitos desses envolvidos acabam integrando as práticas socialmente responsáveis ao seu cotidiano.

O evento, que acontece sempre no último domingo do mês de agosto, está na 5ª edição no Brasil, e pelo segundo ano em parceria com a TV Record. Só no ano passado, com esse importante apoio de mídia, tivemos a participação de 5 milhões de pessoas em todo o Brasil. Nossa expectativa para 2007 é, pelo menos, dobrar esse número.

Filantropia: Qual a relação do Ires com outras entidades da área de responsabilidade social, como Gife e Ethos?
LG: Temos relações naturais com o Gife e o Ethos, cada um sabe exatamente qual sua linha de atuação. O Ethos cria conteúdo, discute bastante conteúdo, mas não atua na mesma linha. Já o Gife é mais passivo, congrega e troca experiência entre empresas socialmente responsáveis, entidades criadas à luz da responsabilidade social. E a FGV tem um caráter principalmente de formadora, por meio dos cursos que oferece.

Nós sugerimos, por exemplo, a participação de outros institutos na oferta de informações para a realização do programa Balanço Social, e, com isso, hoje formamos um comitê de subsídio a TV Cultura.

Filantropia: Quais os objetivos atuais do instituto?
LG: Um dos mais importantes é sedimentar o relacionamento com as universidades. Queremos ter um debate mais próximo com os dirigentes e propor a criação de núcleos sociais dentro dessas instituições, com o envolvimento dos corpos docente e discente, dos funcionários e da comunidade envolvida.

Temos um grupo, o Universidade Socialmente Responsável, que leva palestras aos estudantes. Percebemos que o tema despertava muito interesse nos universitários, com uma adesão imediata, e decidimos incentivar a discussão do tema dentro das universidades. Com o passar do tempo, passamos a ser procurados, pois houve a percepção por parte dessas instituições de que estávamos estimulando e reconhecendo o papel deles na difusão do tema responsabilidade social.

Outro objetivo que temos é o de disponibilizar, cada vez mais, ferramentas para pesquisas mais direcionadas. À medida que determinados setores da economia se inserem no contexto da responsabilidade social, começam a praticar ações, querem informações voltadas a suas necessidades. Nós estamos nos preparando para oferecê-las.
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