Radar 2014

Por: Instituto Filantropia
23 Janeiro 2015 - 10h30

AS PRIORIDADES, AS PREOCUPAÇÕES E A CONFIANÇA DAS NAÇÕES

Nos últimos anos, o perfil de prioridades das principais nações vem apresentando mudanças. Desde a crise financeira que abalou os principais mercados globais em 2009, as tensões, os desafios e as preocupações dos cidadãos pelo mundo têm oscilado, espelhando a instabilidade do contexto econômico mundial atual. Os resultados do estudo realizado anualmente pela Globescan1 trazem avaliações dos principais problemas de cada nação e apontam as dificuldades enfrentadas atualmente. A pesquisa também fornece informações relevantes sobre o nível de confiança da população nas diferentes instituições. Tais informações podem se converter em relevantes indicadores de suporte às definições estratégicas futuras de empresas, e inclusive de organizações não governamentais. Afinal, quais são os fenômenos de destaque em 2014? Que problemas se evidenciam como mais críticos para as nações globais? Quais são os players mais afetados como resultado do ambiente instável atual?
A avaliação indica que as dificuldades econômicas e o desemprego continuam liderando as preocupações das diferentes nações. A preocupação com problemas econômicos deixa de ser a principal queixa da população, enquanto a ansiedade por falta de oportunidades de emprego tem apresentado crescimento, ocupando posição central entre os problemas percebidos. Ou seja, existe um aumento da apreensão com questões econômicas, como consequência das elevadas taxas de desemprego que se espalham principalmente nas grandes metrópoles globais.
Sabe-se que emprego gera forças subjetivas e de direção, dando foco, segurança e estrutura para o indivíduo. No entanto, tais forças são reduzidas, uma vez que novas oportunidades de emprego e perspectivas para o futuro parecem obscuras no contexto atual. Da perspectiva econômica, o desemprego é uma dimensão mais pessoal e específica e há tempos não atinge percentuais tão altos. As consequências nesse cenário vão muito além da perda do poder de compra. O desemprego resulta na gradativa desestruturação do indivíduo, no aumento da criminalidade e violência, e na queda do nível de confiança em instituições como governo e multinacionais, como indica o estudo da Globescan.
Não faltam exemplos para ilustrar os efeitos em sociedades que registraram a permanência de elevadas taxas de desemprego por longos períodos. Segundo o relatório sobre crise econômica, desenvolvido pela Cruz Vermelha2, o desemprego pode levar à agitação social generalizada. Não somente a desocupação, mas a insegurança social também atua como agente propulsor dessa inquietação. Na Alemanha, por exemplo, quase metade dos novos contratos de emprego oferecidos desde 2008 são os chamados “miniempregos”, o que significa contratos de curto prazo. Enquanto esses “miniempregos” são melhores do que nenhum trabalho e também apresentam certa flexibilidade, esses trabalhos muitas vezes não promovem nenhuma segurança social. Efeitos semelhantes são percebidos em diversas nações espalhadas tanto pelo continente europeu como no restante do mundo.
Com a retomada do crescimento econômico em muitos países, a economia por si só deixa de ser mencionada como principal problema das nações, mas um indicador forte de desenvolvimento econômico — a geração de trabalho e renda — passa ao ocupar a posição de maior problema ao redor do globo, indicando uma percepção de economia ainda fragilizada em diversos países. A falta de empregos é citada como o principal problema da nação por 17% dos entrevistados, considerando a média de 13 dos países consultados. Nesse mesmo sentido, apreensões com o aumento da miséria, a possiblidade de desalojamento por falta de recursos e a fome são preocupações que apresentaram aumento. Tais preocupações acerca do desenvolvimento econômico das nações e de estruturação social são elementos que compõem o cenário negativo projetado para o futuro devido às expectativas mornas de melhoria no cenário social existentes nas diferentes nações.
Por outro lado, um fator de preocupação que volta a aumentar é o de temas ambientais, que cresceu significativamente nos últimos três anos, alcançando o nível mais alto (7%) em 2014. Conforme as condições do meio ambiente se tornam mais problemáticas, maior é a preocupação pelo assunto. Por exemplo, foi registrado aumento da preocupação com problemas ambientais pela população chinesa conforme a qualidade do ar no país se torna cada vez pior. Segundo cientistas chineses, a poluição do ar tóxico do país agora é tão ruim que se assemelha a um inverno nuclear, diminuindo a fotossíntese nas plantas e potencialmente causando estragos na oferta de alimentos do país. No Brasil, reações semelhantes de apreensão ocorrem devido à atual falta de água na grande São Paulo.
Essas mudanças nos fatores socioeconômicos e no meio ambiente ocorrem em paralelo com o desgaste da confiança em várias instituições. Por exemplo, as empresas nacionais são, de longe, as mais afetadas, entretanto, as mudanças também afetam o prestígio das organizações não governamentais (ONGs), uma vez que estas tendem a ser vistas como grandes agentes fornecedores de auxílio. Esses fenômenos podem estar sinalizando uma falta de eficácia percebida pelo público na capacidade da sociedade civil organizada dar respostas competentes a esses problemas de desemprego e meio ambiente.
As instituições menos confiáveis estão associadas a interesses estreitos, tais como lucros e partidarismo político. O governo nacional e as empresas globais são as menos confiáveis. Em 2014, essas instituições atingiram -1 e -8% no nível de confiança dentre os 15 países consultados, respectivamente. Ainda, as empresas nacionais foram as mais prejudicadas, registrando perda de aproximadamente 16 pontos percentuais no último ano. O motivo dessa mudança significativa na confiança em empresas nacionais pode estar intimamente relacionado às questões da alta taxa de desemprego de cada país. E as incertezas tendem a aumentar, uma vez que empresas passam a agir mais conservadora e defensivamente, portanto, não atendendo às expectativas socioambientais da população. Afinal, estariam as instituições não governamentais agindo da mesma maneira? E consequentemente sendo prejudicadas por motivos de ineficácia semelhante?
Nos tempos de austeridade, ONGs são vistas como atores fundamentais para prestar auxílio às sociedades em condições cada vez mais precárias. No entanto, ao encontrar dificuldades em atender a todos de forma eficaz e duradoura, essa instituição é também penalizada com a perda de prestígio e confiança da população. A confiança em ONGs apresentou o menor nível (27%) desde 2005 na média dos 15 países consultados. No entanto, continua sendo a instituição mais confiável entre todas as outras consultadas no estudo. De fato, as instituições mais confiáveis são as que têm essencialmente naturezas “progressistas”, seja pela missão de desenvolver compreensão humana, trabalhando para os mais desfavorecidos na sociedade, ou incentivando a cooperação internacional. Ou seja, os mais confiáveis apresentam postura diferente da que outras instituições apresentam ter, como interesses estreitos como lucro e partidarismo político.
Afinal, a queda da confiança pelas ONGs é um fenômeno que acontece de forma igual em todos os países? Quais as alternativas e estratégias possíveis para rever o cenário fragilizado das instituições, governo e empresas?
O estudo aponta que a queda de eficácia não afeta todos os países igualmente. Entre os países desenvolvidos, a média de confiança nas ONGs se mantém mais alta. Esses ainda asseguram confiança e apoio do público. O Canadá apresentou maiores percentuais de confiança em ONGs, totalizando 51% que confiam muito nessa instituição. Por outro lado, os países em desenvolvimento sofrem mais com a desconfiança. No Brasil, apenas 16% afirmam depositar alguma crença nas ações dessas organizações. Na Grécia, que foi duramente afetada pelas crises financeiras, dificilmente se confia na eficácia dessas organizações.
Conforme a austeridade segue como uma das forças propulsoras desse aumento das preocupações, que atitudes podem ser incorporadas para reverter esse quadro de insegurança? Quais as medidas que as empresas, governo e ONGs podem incorporar a fim de assegurar a atenção, o apoio e o interesse da sociedade?
Do ponto de vista corporativo, empresas precisam reconhecer a crescente preocupação do público com as questões de emprego e comunicar seus esforços para criar postos de trabalho e contribuir para o crescimento econômico nacional. Por outro lado, ONGs podem se beneficiar de colaborações com instituições científicas e acadêmicas. Essas instituições detêm alto nível de credibilidade, e as ONGs podem se aproximar de especialistas para ajudar a resolver problemas sociais de forma objetiva. Além da compreensão dos aspectos sociais, assimilar as projeções de problemas sociais futuros é essencial para reestruturar estratégias e fornecer auxílio eficaz para a sociedade em curto e longo prazo. Tais cuidados podem reverter o quadro e resgatar a confiança de volta ao jogo.

 

1Um total de 24.542 cidadãos em 24 países foi entrevistado através de contatos face-a-face ou por telefone entre 17 de dezembro de 2013 e 28 de abril de 2014. A pesquisa no Brasil foi realizada pela Globescan em parceria com a Market Analysis. Dentre 5 dos 24 países, a amostra foi limitada a grandes áreas urbanas. A margem de erro por país varia de +/- 2,5 a 6,1%, 19 das 20 vezes.

 

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