Engajamento em prol do desenvolvimento humano

Por: Thaís Iannarelli
26 Março 2014 - 22h47

Zizi Possi atua como voluntária no Viva e Deixe Viver e pontua a importância da seriedade e credibilidade das organizações sociais

Zizi Possi, cantora paulistana nascida no bairro do Brás, é um dos grandes nomes da música brasileira. Em 1982, gravou um dos maiores sucessos de sua carreira, Asa Morena, que lhe rendeu o primeiro disco de ouro. Dentre tantos trabalhos, atuou com a peça teatral O Grande Circo Místico e participou das trilhas de Ópera do Malandro e Cambaio. Com diversos prêmios em sua carreira, uma das obras mais marcantes de Zizi foi Per Amore, produção totalmente realizada em italiano e que garantiu à cantora um disco de ouro, um de platina e um duplo de platina. Após diversos outros trabalhos, em 2008 lançou Cantos e Contos, comemorando 30 anos de carreira. As apresentações foram realizadas ao lado de colegas como Alcione, Alceu Valença, João Bosco, Eduardo Dusek e Ana Carolina, assim como sua filha, a cantora Luiza Possi.

Revista Filantropia: Como você começou a se engajar na área social?
Zizi Possi: Na verdade, sempre estive engajada com esse tipo de atuação. Minha família sempre foi muito presente em vários projetos sociais, e desde pequena tive muita ligação com crianças e idosos. Isso sempre foi muito bacana, me tocou muito. Aí eu conheci o Valdir Cimino, fundador do Viva e Deixe Viver, e nos tornamos amigos. Sempre fomos muito próximos, e vi o Viva nascer. Nós fomos tomar uma água de coco, e ele me disse que tinha acabado de ter uma ideia, e que estava indo todos os dias às 5h da manhã no Emílio Ribas contar histórias pras crianças. Ele disse: acho que amor é uma coisa que temos que viver dos dois lados, de quem dá e de quem recebe. Eu n unca vou me esquecer disso. Várias pessoas começaram a se envolver com o projeto, e o Viva é o que é hoje. Então acho que foi mais um sonho que virou realidade e que se tornou a realidade de muitas pessoas.

RF: E hoje qual é a sua relação com o Viva e Deixe Viver?
ZP: A minha participação é mais no sentido de estar presente, de dar uma força, de usar meu nome e minha visibilidade para transformá-la na visibilidade do Viva, em prol da causa.

RF: Como você vê os impactos que o Viva causa nas pessoas beneficiadas?
ZP: Acho que sem dúvida alguma, uma ação do Viva tem pelo menos dez sub-ações que causam impacto. Porque até o próprio critério que eles têm de escolher e preparar pessoas para estar em contato com crianças é muito legal, é um nível de especialização difícil até de encontrar em empresas. Tem um cuidado de preparação, que é muito sério. Então isso garante uma qualidade impressionante do trabalho. E o Valdir andou fazendo pesquisas com as ações dele, e foram descobertas coisas muito importantes. Vou citar algumas que são até antigas, mas fantásticas. O Hospital das Clínicas percebeu que, com a presença dos contadores de história, os pacientes precisavam de menos remédio pra dormir. E isso leva a um impacto físico e emocional, porque emocionalmente a pessoa fica mais confortada e com mais condição de aguentar o tranco dos dramas que está vivendo. O Viva sempre refina e traz sofisticação ao atendimento. Eu acho, e se eu não achasse, não estaria envolvida, que é um trabalho sério, bonito e extremamente funcional.

RF: Como você analisa a atuação do Terceiro Setor
no país?
ZP: Eu tenho muito medo quando as pessoas falam que trabalham em uma ONG. A primeira coisa é procurar conhecer a fidedignidade do lugar, ver realmente como é, se o que acontece é o que está sendo anunciado. Porque com toda essa facilitação que há por parte do governo para que haja um engajamento da inciativa privada no sentido de benefícios sociais, tem muita coisa que não é tão bacana quanto deveria. Ou por incompetência de gestão, ou também porque tem muita coisa que existe pra tirar vantagem de todas as benesses, mas que na verdade não tem essa atuação que se espera de uma ONG. Existe em tudo, por que não haveria nessa área? Eu tomo muito cuidado com isso. Então eu atuo no Viva porque sei que é uma instituição muito séria.

RF: Qual é a importância de pessoas com visibilidade na mídia se engajarem em causas sociais?
ZP: Sinceramente, não sei dizer. Nunca foi feita uma pesquisa pra saber até que ponto a gente pode influenciar positivamente. Mas eu sei que negativamente não conta. Então eu faço de coração mesmo, porque de coração eu me sinto engajada. Eu não consigo nem cantar música que eu não assine embaixo, imagine participar de algo desse tipo. A única coisa que eu tenho na vida é meu nome, então eu não colocaria a única coisa que eu tenho em jogo, e em risco, eu realmente espero que faça uma diferença positiva, que isso possa influenciar mais pessoas para participarem e se empenharem.

RF: Temos muitas necessidades em termos de melhorias sociais no Brasil. Que pontos você citaria como os que mais precisam ser melhorados?
ZP: Eu acho que existe um tripé, pois não é possível melhorar uma coisa sem a outra, e esse tripé está nas áreas de saúde, educação e justiça. Então dentro dessas áreas, a gente tem muita coisa pra melhorar. Na justiça, se as leis não forem aplicadas, e se elas continuarem a fazer de conta que a gente está vivendo um esquema sofista, nunca vai dar certo. Se não tiver educação, também não dá pra avaliar a parte da justiça, nem nada. E não dá pra dizer que vivemos em um lugar saudável sem justiça ou educação que funcione. E não dá pra gente dizer que estamos bem educados e preparados sem saúde. Então, são três coisas tão ligadas e abrangentes. O Brasil tem muito a melhorar em termos da parte humana, a que focaliza o ser humano e a sua evolução para se tornar um ser melhor, e é isso o que está sendo bastante deixado pra trás. Uma coisa sem a outra não caminha.

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