Biblioteca disponibiliza mais de 900 títulos a internos da Fundação Casa

Por: Thaís Iannarelli
11 Junho 2015 - 19h05

O projeto é a primeira experiência do tipo dentro da Fundação Casa. O IBL conseguiu o material e vai acompanhar, durante um ano, o desenvolvimento da iniciativa, adaptando o trabalho às necessidades dos usuários. Até as regras de convivência no espaço são construídas em conjunto com os jovens. “São boas para conservar o espaço, não bagunçar. Não deixar virar uma zona”, destacou o adolescente Ricardo*, 18 anos.

Os equipamentos e materiais diversos dão, segundo o coordenador pedagógico da unidade, Rivaldo dos Santos, a flexibilidade necessária para trabalhar dentro da instituição “Eu tenho dez anos de fundação. E a minha experiência de trabalho com os adolescentes é que a grande maioria tem uma dificuldade muito grande de leitura. Eles vêm com uma defasagem muito grande”, explica sobre a importância dos recursos audiovisuais.


Convivem nas prateleiras, conseguidas como doação de uma empresa especializada, o renomado autor juvenil Marcos Rey, o poeta Carlos Drummond de Andrade, o moçambicano Mia Couto e o fotógrafo Araquém Alcântara. Em meio a toda essa variedade, Marcos diz que prefere os títulos que falam de futebol ou com mensagens de superação.“Tem livro que ajuda bastante. Tem umas histórias felizes em que o cara não tinha nada e começa a estudar, em busca de um sonho, e conquista o sonho”, disse o jovem que cumpre medida por tráfico de drogas.

O jovem pensa em um futuro diferente, mas acredita que essa seria uma possibilidade mais distante se eles cumprissem pena no sistema carcerário. “Lá [no presídio], só vai ter maldade. Não é igual aqui [Fundação Casa], que tem gente querendo te ajudar”, disse ao responder o que achava da proposta de redução da maioridade penal, em tramitação no Congresso Nacional. “O CDP [Centro de Detenção Provisória] deve ser dez vezes pior do que aqui”, concordou Marcos.


O objetivo do trabalho na biblioteca é, segundo Rivaldo dos Santos, fomentar bons hábitos de leitura entre os adolescentes. “Incentivá-los para que lá fora eles deem continuidade. Aqui vai ser só começo de um trabalho. Mostrar que ele faz parte de uma sociedade onde tem direito a esse espaço da leitura”, destacou o coordenador.

A partir do acompanhamento dos resultados dessa biblioteca pioneira, o IBL pretende coletar dados que ajudem a montar outros projetos semelhantes. Caso consiga o apoio necessário, o instituto pretende disponibilizar acervos nas 147 unidades da Fundação Casa no estado de São Paulo.

 A coordenadora do instituto, Ivani Capelossa, explica, no entanto, que a implementação da estrutura física do projeto e o trabalho de curadoria e acompanhamento representam investimento de cerca de R$ 180 mil. “A biblioteca jovem tem uma metodologia de construção. A gente entende que valorar a leitura não é um processo de disponibilizar prateleiras e livros”, destacou, lembrando o diferencial do projeto.

O espaço na unidade da Vila Guilherme foi viabilizado com recursos do próprio IBL em parceria com a Fundação Casa, além de doações de empresas que fornecem materiais para outros projetos do instituto, que implementa bibliotecas infantis e comunitárias em diversas cidades do país.

*Os nomes dos adolescentes são fictícios


Fonte: Agência Brasil

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