As fundações e a economia sustentável

Por: Dora Sílvia
01 Maio 2010 - 00h00

Embora tenha passado um tanto despercebido na grande mídia, foi muito importante o alerta feito recentemente pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, ao acentuar que mais de um terço dos habitantes da América Latina continuam vivendo em situação de pobreza. Além da questão humanitária intrínseca a esse cenário, não é mais possível vislumbrar soluções duradouras para a humanidade ou estabilidade política plena em meio a assimetrias tão graves.

Obviamente, a grande crise econômica mundial de 2008 e 2009 tem influência direta no agravamento do quadro da miséria não só em nosso continente, mas também em outras regiões. No Brasil, felizmente, estudos já demonstraram não ter ocorrido um aumento na pobreza. Porém, ainda há uma parcela expressiva de pessoas excluídas.

Mais do que nunca, é preciso ter consciência de que o conceito de sustentabilidade é inexorável, pois não pode haver solução eficaz para a própria economia sem o seu equacionamento. Engana-se quem imagina que a origem de crashes esteja apenas no sistema financeiro e no universo da produção. Pobreza, devastação ambiental, criminalidade, instabilidade política e outras questões são geradores de graves turbulências econômicas.

Não haverá solução efetiva para o capitalismo sem preservação ambiental, erradicação da miséria, melhor educação, saúde e habitação, formação profissional e apoio à juventude em situação de risco.

O planeta está diante de um imenso desafio. Vencê-lo não depende apenas dos fóruns internacionais, da Organização das Nações Unidas, dos governos e das negociações entre os países. A capacidade de nossa civilização de cumprir com êxito a missão da sobrevivência com dignidade é condicionada à mobilização de cada cidadão, empresa, entidade de classe, setor de atividade e instituição. Todos têm de fazer a sua parte! Essa é a essência de atuação do que chamados Terceiro Setor, ou seja, a parcela da iniciativa particular que trabalha no atendimento ao público, ao bem comum da sociedade.

No Brasil, assim como em numerosos países, uma das principais vertentes desse trabalho é realizada pelas fundações, constituídas por famílias, grupos empresariais ou de pessoas físicas e, mais recentemente, pelo próprio poder público. Um interessante exemplo desta modalidade é a Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, criada em 2005.

As fundações têm prestado relevantes serviços no campo da promoção social. O seu trabalho abrange programas próprios em distintas áreas, ou significa importante apoio a organizações beneficentes, culturais, esportivas, educacionais, de saúde e ambientais. É uma imensa rede de solidariedade e benemerência que tem contribuído para reduzir os problemas socioeconômicos. Além disso, trata-se de trabalho com um efeito colateral bem-vindo, pois estimula o ingresso paulatino de mais e mais organizações nessa corrente do bem. E isso é mesmo necessário, pois o desafio é imenso e exige mobilização cada vez mais ampla da sociedade.

Não há dúvidas, portanto, de que é crucial disseminar a consciência de que a atuação fundacional contribui muito para a inclusão de milhares de pessoas nos benefícios da economia e nas prerrogativas da cidadania. Um exemplo é a Fundação de Rotarianos de São Paulo, instituição que represento na Associação Paulista de Fundações, e que mantém, juntamente com o Colégio Rio Branco e as Faculdades Rio Branco, eficientes escolas para crianças portadoras de deficiências auditivas e para a formação profissional de jovens de baixa renda. Ações como as realizadas pelo Terceiro Setor mantêm viva a esperança de que o mundo poderá encontrar soluções efetivas para a demanda da sustentabilidade.

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