A arte de saber envelhecer

Por: Marcos Biasioli
01 Novembro 2003 - 00h00

Nossa edição deste mês, entre outros assuntos de suma importância ao desenvolvimento social articulado pelo Terceiro Setor, traz uma síntese que contribuirá para a interpretação do Estatuto do Idoso, ora sancionado pelo presidente Lula no dia 10 de outubro. Desde já, a lei representa um extraordinário avanço ao resgate do antigo princípio de amor e respeito ao próximo.

Para aquecer o debate sobre o idoso, trago um pensamento pessoal: credito ao regime capitalista o ônus de ser o grande vilão e infrator dos valores humanos, em especial daqueles relacionados aos mais velhos, já que, no mundo do capitalismo, quem não consome, não é pessoa.

O idoso, com o passar do tempo, de acordo com a minha visão do selvagem sistema, deixa de ser pessoa, pois se despede do seleto grupo dos consumidores quando a vaidade cede espaço à enfermidade - e de gente, passa a ser indigente.

Defendo, então, que o maior consumo da atual juventude esteja focado na arte do saber envelhecer. De nada vale o acúmulo de riquezas e títulos, que somente engrandecem o ego, o status e a vaidade, se faltar a saúde, o entusiasmo de viver, a alegria, a família, objetivos e, principalmente, a fé.

A aposentadoria garantida não reside na previdência, na caderneta de poupança, mas na semeadura diária do jovem. O adubo do plantio está na determinação de uma vida saudável e inteligente. As sementes são derivadas do amor ao próximo, do respeito ao corpo, à mente, ao espírito e à natureza.

Enfim, o estatuto não veio para trazer privilégios ao idoso, e sim para lembrar ao jovem que ele será o idoso de amanhã: todos os dias, a juventude está semeando e desbravando a arte do envelhecimento e, se o fizer com sabedoria, certamente colherá sossegada aposentadoria.

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