Brasil despenca mais de 50 posições no ranking mundial de solidariedade

O país teve o pior desempenho já registrado no World Giving Index depois de ter alcançado a segunda melhor colocação de sua história no ano passado - saiu da posição de número 75 e foi para o 122º lugar no ranking geral. O Brasil conseguiu inclusive ser o pior colocado na América Latina, perdendo até para a Venezuela.

O levantamento é medido pela Charities Aid Foundation (CAF), instituição com sede no Reino Unido e que no Brasil é representada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis). Este ano, foram entrevistadas mais de 150 mil pessoas em 146 países.

O levantamento registra o número de pessoas que doaram dinheiro para uma organização da sociedade civil, ajudaram um estranho no mês anterior ao levantamento ou fizeram trabalho voluntário.

Aqui no Brasil, a proporção das pessoas que doaram dinheiro teve uma queda acentuada e foi o menor número registrado: passou de 21% em 2017 para 12% dos entrevistados neste ano. O declínio foi maior entre as mulheres passando de 23% para 13% e entre as pessoas de 30 a 49 anos passando de 22% para 11% e as com mais de 50 anos, que caíram de 32% para 25%.

Para a diretora-presidente do Idis, Paula Fabiani, a recessão econômica dos últimos anos gerou um forte individualismo na sociedade, fazendo com que as pessoas se preocupassem em se proteger em primeiro lugar e deixassem de lado a postura mais solidária.

“O relatório mostra que voltamos a níveis muito baixos, ao contrário dos últimos dois anos, quando cresceu a proporção de pessoas que ajudaram um estranho, fizeram trabalho voluntário ou doaram dinheiro. Isso mostra que ainda não temos uma cultura de doação solidificada”, explica Paula.

Em 2018, o World Giving Index trouxe mudanças significativas da solidariedade no mundo. Myanmar que nos últimos anos se mantinha em primeiro lugar, caiu para 9º. O país líder do ranking, pela primeira vez, foi a Indonésia. Os Estados Unidos caíram uma posição, indo para a sexta colocação.

“Pelo segundo ano consecutivos, vimos um declínio na proporção de pessoas que doaram dinheiro por uma boa causa. Isso deve ser um alerta para toda a sociedade civil de que a solidariedade deve ser uma ação contínua e que o jogo não está ganho”, lamenta o executivo-chefe da CAF, John Low.


Faça AQUI o download do relatório.


Fonte: CAF

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