A Influência da Cultura na Formação do Cidadão

Por: Felippe William
11 Setembro 2014 - 00h00

Mais do que uma característica essencial de uma sociedade, a cultura pode ser considerada como o elemento principal que difere uma nação de outra. Os costumes, a música, a arte e, principalmente, o modo de pensar e agir, fazem parte da cultura de um povo e devem ser preservados para que nunca se perca a singularidade do coletivo em questão. A palavra cultura deriva do latim, colere, que tem como significado literal “cultivar”. Partindo desse princípio, percebemos que se trata de uma herança acumulada ao longo dos anos, e que deve ser preservada.

Cada pessoa pertencente a uma determinada nação agrega valores culturais, os quais a levarão a fazer ou expressar-se de forma específica. Esse mecanismo de adaptação é um dos principais elementos da cultura, e torna-se ainda mais importante quando se alia ao fator cumulativo. As modificações que se desenvolveram e que foram trazidas por uma geração passam para a geração seguinte, e se implementam ao melhorar aspectos para futuras gerações.

Durante muito tempo, o termo cultura foi estudado e acabou sendo dividido em algumas categorias:

  • Cultura segundo a Filosofia: trata-se de um conjunto de manifestações humanas, de interpretação pessoal, e que condizem com a realidade.
  • Cultura segundo a Antropologia: o termo deve ser compreendido como uma soma dos padrões aprendidos, e que foram desenvolvidos pelo ser humano.
  • Cultura Popular: associa-se a algo criado por um determinado grupo de pessoas que possuem participação ativa nessa criação. Música, arte e literatura são exemplos que podem ser utilizados.

Por ser um agente forte de identificação pessoal e social, a cultura de um povo se caracteriza como um modelo comportamental, integrando segmentos sociais e gerações à medida que o indivíduo se realiza como pessoa e expande suas potencialidades. Entretanto, é necessário lembrar que essa percepção individual tem grande influência por parte do grupo. As escolhas selecionadas ou valorizadas pelo grupo tendem a ser selecionadas na percepção pessoal.

Além disso, a cultura possui quatro processos que têm participação ativa na influência do indivíduo:

  • O Agente Cultural: Seja qual for a forma de expressão artística que ele promove, trata-se de alguém que se sente valorizado pelo que é capaz de fazer e, mesmo na velhice, é muitas vezes procurado para transmitir seus conhecimentos aos mais jovens.
  • O Propagador Cultural: É aquele que não cria, mas que valoriza e ajuda a difundir determinados tipos de arte. Muitas vezes, dedica sua vida a esse propósito. Dentro desse grupo, estão incluídos os indivíduos que compram e comercializam produtos culturais.
  • O Espectador Cultural: Grupo formado por pessoas que não criam e nem difundem a arte, mas que são apreciadores do gênero e que se identificam com outros de pensamento semelhante. Um exemplo do gênero e que pode ser citado é a formação dos fã-clubes, que interagem entre si promovendo o ídolo de diversas maneiras.
  • O Alienado Cultural: Trata-se de alguém ou determinado grupo que denuncia as formas de expressão cultural. Presente muitas vezes em regimes ditatoriais, evidencia a exclusão social e oprime movimentos artísticos menos poderosos mas, nem por isso, com menos influência na sociedade.

A identidade cultural, em níveis diferentes, constrói a consciência do povo. Isso ocorre devido à necessidade de comunicação, e aquele que se comunica o faz por meio de certos meios e formas. Um dos objetivos de democratizar a cultura é aumentar o acesso aos bens culturais que já existem, possibilitando que as pessoas possam desenvolver o seu próprio modo de ser e participar da comunidade como um todo. O acesso à cultura depende de alguns aspectos específicos: o acesso físico permite a melhor distribuição dos equipamentos culturais, e também possibilita o transporte de todas as pessoas, independente de onde residam (periferia, subúrbio, centro); o acesso econômico está relacionado aos custos de participar dos eventos culturais de uma cidade ou comunidade, portanto, deve-se pensar na relação custo-benefício entre a criação e o consumo artístico; e o acesso intelectual, que é responsável pela compreensão do produto artístico, formando público e agentes culturais.

O Brasil possui uma vasta herança cultural, e um exemplo disso se encontra nas artes visuais. Na pintura, desde o estilo barroco foi desenvolvida uma tradição relacionada à decoração de igrejas, e muito pode ser visualizado nos centros nordestinos e no Estado de Minas Gerais. Com a ascensão do Modernismo no século 20, o país acompanhou uma onda de renovação trazida por artistas como Di Cavalcanti, Portinari e Tarsila do Amaral. Já no campo da escultura, o país também possui referências importantes, como Rodolfo Bernardelli e Amilcar de Castro, muito influenciados pelas obras de Aleijadinho. Toda essa diversidade histórica do país, aliada a obras musicais e literárias, nem sempre é direcionada à população como deveria. Entretanto, algumas entidades existentes facilitam o acesso das pessoas à cultura.

Em 1940 foi concebido o Sistema S, conjunto de instituições criadas por empresários as quais são alimentadas com recursos dos setores correspondentes, revertidos para o bem-estar e a formação do trabalhador. Em 1946 foi desenvolvido o Serviço Social do Comércio (SESC), empresa privada sem fins lucrativos mantida por empresários de bens, comércio e serviços. O SESC se caracteriza por ser uma das maiores empresas a investir em áreas como educação, esporte, lazer e, principalmente, cultura. Sua abrangência também tem grande contribuição para que isso ocorra, visto que várias unidades estão espalhadas por todo o território nacional. A instituição prioriza locais próximos a terminais de ônibus ou a estações de metrô, viabilizando e facilitando o acesso dos visitantes. Diversos eventos, como peças de teatro, exibição de filmes e shows, também fazem parte das atividades culturais, sendo muitas vezes gratuitas para os associados ou com preço acessível.

Devido à dificuldade na coleta de dados concretos sobre a produção e consumo cultural, o SESC desenvolveu recentemente uma pesquisa visando a ampliar a investigação acerca dos hábitos e práticas culturais do povo brasileiro. Segundo o portal, a pesquisa “Públicos de Cultura” foi realizada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e a Fundação Perseu Abramo por meio de 2.400 entrevistas em 139 municípios.

A pesquisa retrata hábitos e gostos culturais dos indivíduos entrevistados. Dentre os hábitos culturais são analisados comportamento, disponibilidade e constância com a qual os abordados produzem ou consomem cultura. De acordo com os dados da pesquisa, de segunda a sexta-feira 58% dos entrevistados ocupam seu tempo ocioso com atividades caseiras. Aos finais de semana, 34% afirmam realizar atividades em casa, 34% procuram por atividades de lazer e 9% se dedicam a práticas religiosas. Com relação à produção cultural, os resultados mostram que uma pequena parcela da população mostra-se comprometida com a ampliação cultural. Somente 15% alegam cantar individualmente ou em grupo, 13% se dedicam a dança e 10% tocam algum instrumento. Ainda há atividades menos realizadas, como o teatro e a expressão corporal, contando com apenas 1% dos entrevistados. Muitas das pessoas em questão dizem se informar sobre as atividades que costumam participar por meio de amigos ou pela mídia. A escolha por expressões culturais como música, leitura, dança e artes cênicas mostram o que é valorizado pelos brasileiros e onde buscam entretenimento.

MEIOS QUE COSTUMA SE INFORMAR SOBRE O QUE ACONTECE NA CIDADE QUE RESIDE, NO BRASIL E NO MUNDO

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Durante a coleta de dados, pessoas de todos os gêneros, idades, escolaridade e região do país foram ouvidas, e foram tomadas como base para a percepção dos hábitos e preferências culturais. Muitas das pessoas abordadas são casadas e acreditam em algum tipo de religião, dentre as quais o catolicismo abrange 57%, e a religião evangélica, 28%. Como fonte de busca por informações acerca de sua região, do Brasil ou do mundo, a televisão destaca-se como o principal meio de acesso. Já com relação à utilização do aparelho celular, 87% dos entrevistados possuem pelo menos um celular e o utilizam principalmente para realizar ligações. Em seguida, destacam-se as demais funções, como mensagens de texto, acesso à internet, fotografias etc.

FREQUÊNCIA A ATIVIDADES CULTURAIS

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A pesquisa realizada pelo SESC ainda afirma que as pessoas estabelecem a influência de determinados gêneros na formação do seu gosto cultural de acordo com as características de cada região do país. Dos indivíduos abordados, 63% assistem somente à televisão aberta, e 28% assistem tanto a programação da televisão aberta como da TV fechada. Novelas, filmes e jornais figuram entre as preferências na programação dos entrevistados. Com relação aos filmes assistidos, 39% optam por filmes de aventura ou ação, 38% preferem comédias e 20% assistem romances. Apenas 2% assistem filmes com temática social ou musical. Acerca dos gêneros de teatro, 33% preferem comédia, ao passo que 28% não sabem ou nunca foram ao teatro. Exposições e manifestações culturais artísticas são menos procuradas pelo público. Dos indivíduos abordados, somente 14% vão a exposições de arte, 26% nunca foram e 26% não têm preferência por nenhum tipo de exposição. Dentre os gostos musicais, 40% apontam o sertanejo como ritmo favorito, enquanto em segundo lugar está ranqueada a MPB, com 23%. Já entre as danças, o forró é a favorita, com 22%, seguida pela dança de salão e o samba, com 11% cada um. Quando abordados a respeito da quantidade de livros lidos nos últimos 6 meses, o resultado não é dos mais animadores. Dos entrevistados, 58% não leram nenhum livro no período descrito, e, dentre os temas de preferência estão romance ou ficção, assim como a Bíblia e outros livros de cunho religioso.

Esta pesquisa realizada pelo SESC demonstra a carência de grande parte da população por mais projetos associados à cultura e que consigam inserir o cidadão nesse ambiente. Uma pessoa sem acesso à cultura corre o risco de se alienar em relação às questões acerca do ambiente no qual está inserida. Investir em educação é o primeiro passo, afinal, é preciso despertar o interesse para descobrir sobre si e sobre o ambiente em que se vive. Mais do que parte da identidade de uma nação, a cultura é essencial para que o próprio indivíduo construa a sua individualidade e exerça seu papel na sociedade.

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